Another Day

Pensamentos de uma bela manhã de quinta-feira à noite.

Segundo Capítulo - Senhores Carter

Era assim:

Prezado Senhor Brian Carter, venho por meio desta pedir sua ajuda. Há um enorme problema atormentando minha família, e preciso urgentemente de seus serviços. Minha família corre grande perigo. Duas pessoas já morreram. Indicaram-me o senhor por ser o melhor do país nessa área. Espero que possa nos ajudar. Repito que o caso é de extrema urgência. Peço que o senhor venha à nossa casa o mais rápido possível. O endereço encontra-se no final da carta. Aguardo ansiosamente resposta. O senhor é a nossa unica esperança.

Senhora Clou Albertine

Rua Albertine, 1125”

Por alguns minutos não consegui pensar em nada. Li e reli a carta algumas vezes para ver se entendia direito. Duas pessoas mortas? Seria algum tipo de brincadeira de mal gosto, ou, pior ainda, seria verdade? Esse tal de Brian Carter devia ser alguém importante. Ele devia ser um policial, ou um detetive quem sabe. Que infeliz ideia essa de abrir a carta de outra pessoa. Maldito sobrenome que me fez receber essa carta. Nunca gostei muito do meu nome, o qual é Joseph Carter, mas dessa vez ele tinha realmente me atrapalhado. Só por causa de um sobrenome igual, acabei me metendo em uma enrascada. O correio devia ter confundido os Carters.

Cinco da manhã, eu acordado, sentado na cadeira de madeira da nossa cozinha enquanto lia a tal carta. Tinha me arranjado um enorme problema. Abrira a carta de um desconhecido, por pura curiosidade, e descobrira algo grande. Porém a carta já havia sido aberta, e eu não poderia devolver para o destinatário: seria algo extremamente embaraçoso. O que fazer então? Não tinha ideia. Decidi dormir e resolver isso ao decorrer do dia, pois, afinal, já eram cinco da manhã e às oito eu deveria estar no banco. Como já era esperado, não consegui dormir. Fiquei até as sete acordado pensando no que faria e como resolveria isso.

Fui para o trabalho decidido que o certo a fazer era devolver a carta para o tal Brian Carter. O problema agora era encontra-lo. Passei o dia inteiro procurando por alguma pista; olhei a lista telefônica, fiz ligações para antigos amigos da faculdade e nada. Não achei nada, nem uma pista sequer do endereço ou mesmo algo que comprovasse a existência de tal senhor. Frustrante. Procurei em todos os lugares que podia e não encontrei nada. Achei que era melhor desistir e seguir a vida, pois, afinal, esse tal de Brian Carter não deveria nem existir.

Na outra semana, era aniversário da morte de minha mãe e eu minha mulher íamos ao cemitério visitá-la. Fomos e lá ocorreu algo estranhíssimo: do lado da cova da minha mãe, jazia uma cova com o nome Brian Carter lapidado. Quase gritei de alegria em meio ao dia da morte da minha mãe. Me senti um pouco mal, mas nada que a excitação de ter achado o senhor Carter não resolvesse. O cara realmente tinha existido, o que me levava a um novo problema: o que fazer com a família? Ela precisava de ajuda e o único cara com quem podia contar estava morto.

Minha vida estava uma grande ruína: a hipoteca tinha vencido, o casamento estava desgastado demais (eu era casado com uma mulher compulsiva e controladora), estávamos falidos, e nem meu gato gostava mais de mim. Tomei então uma decisão que nunca me arrependi.Não havia contado nada a minha mulher sobre o caso e não havia motivo para que isso ocorresse agora, e portanto no outro sábado fui à Rua Albertine, número 1125. Toquei a campainha e um mordomo, com uma expressão cadavérica, me atendeu:

- Boa noite. Quem é o senhor?

- Boa noite. Sou o senhor Brian Carter e vim ajudar a família Albertine.

3 weeks ago